sábado, 1 de janeiro de 2011

Croix - The begin

O céu era azul, as nuvens fofas e brancas, e o ar, puro. Em volta eu tive a sensação de estar dentro de um bosque. Mas o local exato aonde me encontrava era inusitavelmente um buraco aterrado no chão. Demorei alguns instantes para perceber que me encontrava completamente suja de terra, por conta de onde "aterrissara". Rapidamente me levantei e sacudi meu jeans e minha blusa. Depois, saí a explorar o local...
 Então o que vi mais adiante me atemorizou. Parei, e ainda dentre as árvores, fiquei espiando. Havia, no tal bosque, bem a minha frente, um enorme edifício, parecido com um shopping center. E era bizarro de se ver: Dentro dele havia quase como uma ordem, alternando entre um andar iluminado, e outro não. Eram luzes incríveis, que latejavam e mudavam de cor constantemente. Já havia visto coisa parecida, mas nunca algo como aquilo. Me aproximei daquele estranho lugar, sentindo-me uma forasteira no velho oeste.
 Suas paredes eram de um estranho tipo de metal-azulado, e em alguns lugares, transparecia. Bem no alto, centralizado, havia escrito bem grande em placas de prata: "Croix University". Fiquei muito confusa. Como era possível haver uma Universidade no meio de um bosque ? E ainda uma Universidade daquela, absurdamente tecnológica ? Então, resolvi entrar. Na porta, duas garotas, aparentando serem estudantes, saíam. Uma tinha cabelo longo e loiro, e a outra cabelo curto e preto. Ambas tinham a pele e os olhos claros. Parei em frente à elas, que me olharam de cima a baixo com uma expressão descrente.
- Oi ? Por favor... Podem me ajudar ? É que eu não faço ideia de onde estou... Estava no meu quarto e, meio que do nada, vim parar aqui. Que lugar é esse ?
 Elas fizeram caretas uma à outra. Pareciam estar prendendo o riso. As duas me puxaram pelo braço e dirigiram-me a estranha Universidade.
- Não é por mal, mas o que vocês são ? - baseei-me nas ficções que já lera, e arrisquei perguntar.
- Humanas... Como você. - disse a loira, rindo.
 Olhei confusa para elas.
- Mas por que estou aqui ?
- É o que vamos descobrir agora. - disse a de cabelo preto.
 Fomos caminhando uma ao lado da outra, e conforme caminhávamos, reparava no local. Por dentro também parecia um shopping. Tinha escadas rolantes, todas de vidro, com a mesma luz latejante que havia por fora. Era enorme também, e havia uma música, ao fundo, tocando. A única característica que não havia similar ao shopping era o espaço vazio, preenchido por bancos e alunos, no lugar das lojas. Nas paredes, haviam muitos anúncios projetados que se moviam. Falavam de descontos em livros, festas, eventos da universidade.
 Reparei que todos usavam uniformes azul e branco, de algodão; uma roupa comum, entre tanta coisa estranha. Achei interessante também os bancos de acrílico. Vi quando um garoto encostou seu celular no banco, e o que estava no celular passou para ele. Haviam também pessoas jogando com os celulares. Era como se a TV fosse uma projeção que o celular fazia, e os controles, o próprio celular. Me surpreendia cada vez mais à medida que andava. E então, subimos as escadas rolantes.
- Aonde estamos indo ?
- Até o Rupert, o diretor. Ele vai nos esclarecer tudo. - disse a loira. - Ah, e a propósito, meu nome é Linden, e o dela é Jennifer.
 Dou um sorriso acanhado.
- Sou Rachel. Muito prazer.
 Nesse momento, chegamos ao segundo andar. Fiquei parada, olhando. Haviam muitas salas de aula, de vidro fumê, a qual não se via nada lá dentro. Haviam também números projetados na porta de cada sala.
- Vamos, Rachel. - disse Linden.
 Subimos mais um lance; mais salas. Só que nesse andar havia uma lanchonete, no canto, chamada Minner. A atendente me parecia uma andróide, mas não tive certeza. Subimos mais dois lances; quinto andar. E conforme vi, ia até o sexto... levando-se em conta que cada andar era gigantesco.
- Chegamos. - disse Jennifer.
 Haviam três salas no andar inteiro. Todas do mesmo vidro fumê. Elas chegaram na porta da esquerda, e em vez de bater, Linden apenas pôs a palma da mão na porta, que pareceu escanea-la. A porta se abriu. Entramos juntas. Era uma sala consideravelmente ampla, comparada-a vista de fora. Haviam duas grandes estantes recheadas de chips. Chips de diversos tamanhos. Fiquei surpresa com isso. Acreditava que haveriam livros, isso sim. E no meio da sala, junto a vasta janela que lá havia, vi uma grande mesa, toda de vidro, com uma placa metalizada, piscando, sobre ela. Não vi cadeiras em nenhum lugar. De repente surge um homem de uma porta que dava para outra parte da sala. Alto, não muito forte, e de cabelos grisalhos. Aparentava ter mais de 40 anos, e vestia terno e gravata.
- E então meninas, o que posso fazer por vocês ? Ah, sentem-se, por favor. - pediu ele.
 Ele tocou em alguns pontos da mesa, e dela abriu-se, na frente, três compartimentos, que eram coisas compridas e retas, pareciam pequenas tábuas de vidro, e depois, conforme saíam, vi que tinham finas barrinhas as sustentando. Elas se esticaram até pouco mais à nossa frente, e as barrinhas se enroscaram, soltando-se da mesa e formando três cadeiras viradas para frente. Só não tinham pés, e isso me amedrontou na hora de me sentar.
- Pode sentar, Rachel. Não tenha medo, ela não morde. - apesar de sua voz séria, senti um leve toque de deboche nisso. Rapidamente me sentei, fitando-o, séria.
- Como sabe meu nome ? Que lugar é esse ? - encarei-o.
- Calma, calma. Começamos pelas apresentações, ok ? - disse ele calmamente.
 Apenas assenti.
- Meu nome é Rupert. Moro aqui há 20 anos, e vi esse lugar ser construído. Esse lugar, Rachel... Croix. - ele se virou de costas para nós, abrindo os braços. - O centro das dimensões paralelas. E o que faz aqui ? Bem, você provavelmente é mais um dos muitos privilegiados de Saul - Linden cochicha em meu ouvido "Saul é o criador disso aqui". - E o porquê de estar aqui ? - Rupert prossegue - Isso apenas Saul pode lhe dizer. - esclareceu ele, se voltando para a grande mesa.

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